Társis

Diagrama de Társis, a
Cidade das Portas de Ouro
Társis,
a Cidade das Portas de Ouro, abriga 2.355.000 habitantes. É também conhecida
como a Cidade das Águas, devido a seu magnífico serviço de água, mais perfeito
do que qualquer outro já tentado, em qualquer tempo. A água vem de um lago a
Oeste, a 780 metros de altitude, e o aqueduto principal, de seção oval, de 15 m
por 9 m, a leva a um imenso reservatório subterrâneo, em forma de coração, bem
abaixo do palácio. Partindo do reservatório, um poço perpendicular de 152
metros, que atravessava a rocha sólida, dá passagem à água, que irrompe nos
terrenos do palácio. Do reservatório central um sistema de canos também conduz
a diferentes partes da cidade, a fim de proporcionar água potável e prover às
fontes. Válvulas controlam as várias seções de suprimento. A resistência do
material usado nos aquedutos é muito grande, pois a pressão hidrostática é
enorme.
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Társis, sobre as
vertentes de uma pirâmide achatada |
A cidade situa-se na costa oriental de Daitya, a uns 15° norte do Equador, cercada de uma região
de parques, onde ficam, espalhadas, as residências das classes mais opulentas.
A oeste se ergue uma cadeia de montanhas, que fornece água para a cidade
construída nas vertentes de uma enorme pirâmide irregular e achatada,
alcançando a 152 metros acima da planície no seu topo.
No alto da pirâmide se ergue o antigo palácio real, com
seus jardins – hoje ocupados pelo vice-rei nomeado pelo imperador atlante e por
suas tropas –, de cujo centro brota um curso d'água, que serve ao palácio e às
fontes dos jardins e, logo, flui em quatro direções, caindo em cascatas, com 38
metros de altura cada uma, num canal que circunda o terreno. Quatro canais levam a água desse canal, através
dos quatro bairros da cidade, para cascatas de igual altura que, por seu
turno, servem a outro canal circular. Há três canais concêntricos, o mais baixo
dos quais ainda está acima do nível da planície. No nível mais baixo, um quarto
canal, retangular, recebe as águas e despeja-as no mar.
O círculo central, com o palácio (que tem uma área de
cerca de 16 hectares), cobre 5 km² e tem 5 mil moradores. A zona intermediária
contém uma pista circular de corridas (com 800 metros de diâmetro e 2,5 km de
percurso), jardins públicos, a maioria das casas dos dignitários da corte (incluindo
os grão-mestres das guildas de mercadores e de magos) e
a "Casa dos Estrangeiros", um grande palácio (de 24 hectares) no qual
se hospedam os estrangeiros, como hóspedes do Governo, durante o tempo que
desejem permanecer na cidade. Cobre 20
km² e tem 100 mil moradores. A terceira zona é ocupada pelas casas separadas
dos habitantes e pelos diversos templos. Cobre 50 km² e tem 250 mil moradores,
em casas espaçosas e ajardinadas.
A cidade estende-se até à borda do canal mais externo,
numa área de 19 por 16 quilômetros, num total de 310 km². Há casas relativamente
pobres no cinturão inferior do lado do Norte, como também as havia fora do
canal mais externo na direção do mar, onde os habitantes, principalmente
ligados à navegação, tinham casas mais juntas umas das outras. Nos pouco mais
de 200 km² da quarta zona, moram 2 milhões de habitantes.
Esses subúrbios são protegidos por enormes taludes de
terra, recobertos na face externa por chapas grossas de metal, juntas em séries
e sustentadas por grandes arcos de madeira, cujas pontas estavam profundamente
fincadas no solo. Uma vez colocados os arcos, entrelaçados com fortes travessões,
se lhes aplicaram as placas em disposição escalonada e depois se tornou a enchê-los
de terra e acalcar compactamente o espaço compreendido entre o solo e a armação,
formando uma barreira praticamente inexpugnável.